Nome científico: Orcinus orca (Linnaeus, 1758)
Nome comum: Baleia-assassina ou Orca.
Classificação: Odontoceti, família Delphinidae
Subpopulação: Orca Ibérica
Características: Mais pequena do que outras subpopulações, com tamanho adulto entre 5 e 6,5 metros. A coloração é contrastante em preto e branco, com mancha ocular, ventre branco que se alarga formando um tridente na região anal-genital, e a face inferior da barbatana caudal é branca. A área cinzenta em forma de V atrás da barbatana dorsal é designada por “mancha de sela”. Existe um dimorfismo sexual evidente: os machos apresentam uma barbatana dorsal muito maior do que as fêmeas, ultrapassando 1,5 m de altura.
Distribuição e habitat: Espécie cosmopolita, presente em todos os oceanos e na maioria dos mares. A subpopulação de orcas ibéricas migra do Estreito de Gibraltar para norte durante o verão, acompanhando os movimentos do atum. No outono dispersa-se do norte para águas profundas. Durante o inverno regressa à zona do Estreito de Gibraltar, onde permanece até ao final da primavera, repetindo este ciclo. Estes movimentos são difusos: nem todos os grupos viajam em conjunto, deslocando-se de forma progressiva e sempre dependentes da sua principal presa, o atum-rabilho do Atlântico.
Grupo: Estrutura social familiar, com grupos de 2 a 30 indivíduos. O tamanho médio dos grupos é de 6 indivíduos.
Esperânça média de vida: Machos entre os 30-60 anos e as fêmeas entre os 60-90 anos.
Período de gestação: 16–18 meses. As crias nascem com cerca de 200 cm e atingem a maturidade entre os 10 e os 13 anos. Os juvenis são desmamados por volta dos 18 meses, mas podem permanecer com a mãe até aos 3 anos.
Dieta: Predador de topo, com uma variedade de técnicas de alimentação e especialização num determinado tipo de presa. As orcas ibéricas alimentam-se principalmente de atum-rabilho do Atlântico (Thunnus thynnus). Podem mergulhar até 1000 m de profundidade e suster a respiração até 17 minutos.
Comportamento típico: Podem ser muito ativas à superfície, especialmente durante interações sociais ou após uma caça bem-sucedida. Saltam frequentemente fora de água, batem com as barbatanas peitorais e com a cauda. Realizam frequentemente spyhops. Ocasionalmente acompanham a proa das embarcações e demonstram curiosidade em relação aos barcos.
População: Não existe uma estimativa global fiável, mas o número mínimo é provavelmente de 50 000 indivíduos. Estudos de foto-identificação realizados entre 1999 e 2011 identificaram 47 indivíduos da subpopulação ibérica; no final de 2011, apenas 39 permaneciam vivos. A tendência populacional é considerada estável.
Threats: Capturas acidentais e emalhamento, poluição, degradação do habitat, diminuição das presas, aumento do tráfego marítimo, ruído subaquático e atividades turísticas de observação de cetáceos desorganizadas.
Estado de Conservação IUCN: Globalmente classificada como “Dados Insuficientes” (2017). A subpopulação ibérica está classificada como “Criticamente em Perigo” (2023).
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